Começa a tornar-se habitual comentar as crónicas de Miguel Sousa Tavares, sobretudo desde que este resolveu abrir um consultório sentimental nas páginas d'A Bola para carpir as suas mágoas futebolísticas enquanto enaltece, em simultâneo, a glória trágica de um FC Porto que, não tendo nada de decadente, ameaça ensurdecer ao sopro do Apito, tantas e tão belas vezes já ele apitou para aqueles lados.
Desta vez, qual Herman José no seu ritual homossexual das noites de Domingo (na SIC), MST resolveu chamar à liça um amigo. Amigo esse que, como bom benfiquista, troçou abundamentemente da desgraça leiriense, sugerindo ser o Leiria, que só tem "dois ou três jogadores emprestados" e um treinador que foi "uma antiga 'glória' portista", a equipa B do FC Porto. Tudo mentiras, como se pode ver. Aliás, a postura autoritária do Quasimodo Paciência deixou bem clara a sua posição relativamente a Esmeralda. Ou será que se chamava
Crisocola?
MST sugere, depois, que os benfiquistas desconfiam de tudo. A prová-lo estaria um texto escrito por um tipo qualquer onde se estabelecia um nexo de causalidade entre a expulsão de Harison e o adversário da semana seguinte do Leiria. Nada mais falso, sobretudo porque o nexo de causalidade não passa de uma ficção jurídica quando não se aplica à inocência do FC Porto no processo Apito Dourado. É um visionário, este Miguel!
Continua, a posteriori, descrevendo as vicissitudes por que passaram os jogadores do Porto, desde penalties não assinalados a quase-golos cortados com mãozinha "marota". Vale tudo! Uma vergonha: ainda está para vir alguém que denuncie tão claramente que o FC Porto, sem o Gipsy Queer, é uma equipa medíocre. E, não por mero acaso, é com Quaresma que a rábula prossegue.
MST, qual Vasco Pereira da Silva, começa por fazer um apanhado histórico sobre o trauma da "adolescência difícil" do Contencioso Portista. O nascimento deu-se com Benny (claramente uma vítima desse flagelo que é a tentativa - falhada - de aborto em vão de escada), o homem que não sabia pôr os cotovelos para dentro. Deco, o eterno perseguido, assegurou o baptismo juntamente com Costinha, o Ministro que saiu de campo com o crâneo fracturado. A evolução (ou, se preferirem, a puberdade) deu-se com Quaresma, já no início desta época: em vez de partir, partiram-lhe. E o FC Porto, equipa inocente e cândida, pouco dada a agredir adversários (Paulinho Santos era, como se sabe, o homem das festinhas) transformou-se assim, com o Crisma do Contencioso Portista, num Conselho de Estado do futebol português. E são as forças do
Ancien Régime que tentam, agora, transformar a realidade naquilo que ela era anteriormente, através desse Maurice Hauriou com bandeirola: Sérgio Lacroix.
Para se perceber a razão pela qual MST deixou de exercer Direito, basta seguir o raciocínio que ele faz sobre a expulsão. Na sua opinião, não acha que tenha havido agressão, mas também não acha que tenha sido involuntário. Isto depois de uma apologia sentida da genialidade de Quaresma, jogador massacrado pelos ataques gratuitos e violentos dos adversários, que a dupla Lacroix-Santos escolheu para mártir da causa portista (lágrimas, por favor!), qual versão cigana de Saddam Hussein. A pergunta que se põe é: quem é que copiou primeiro? Foi MST que copiou MRS ou MRS que adoptou o estilo de MST? Eu não sei, mas acho que o RAP pode ter a resposta.
O Tavares continua, quase
ad eternum (e
absurdum) para concluir de forma semelhante a todas as suas outras crónicas. Lacroix é um demónio (e que jeito dá que, segundo a lenda, os ditos sejam vermelhos, não é?), Santos bebeu uns galõezitos antes do jogo e Tixier, para o ano que vem, está no Benfica. Termina então com a habitual referência a Carolina Salgado (quem desdenha, quer comprar!) e à dificuldade que os meninos azuis vão ter durante as próximas jornadas, já que qualquer portista que cometa uma pequena falha, como estacionar os cotovelos na cara do adversário, será barbaramente punido por uma justiça contaminada com laivos de encarnado. Porque Portugal começou no Porto e por aí adiante.
Eu, depois de descontruir o Mestre, aproveito para concluir com uma correcção técnica, forçada por um momento menos bom de Miguel Sousa Tavares. Escreve ele, no seu artigo, que Tixier se atirou para o chão, rebolando como se tivesse acabado de levar um tiro de Magnum entre os olhos. Ora, eu não sei se o caro MST terá visto muitos Dirty Harry's ou alguns filmes do Charles Bronson, mas alguém que leva um tiro, de Magnum, entre os olhos, jamais poderá ficar a rebolar no chão. Aliás, se mantiver o crâneo poderá dar-se por satisfeito. No entanto, há uma subtileza que não é possível deixar escapar: se Tixier levou um tiro de Magnum entre os olhos, quem é que possuía a arma? Quaresma, pois claro. Confesso que não esperava este sentimento xenófobo da parte de Miguel Sousa Tavares. Sobretudo porque toda a gente sabe que os ciganos é mais facas.